foto furuta

sábado, 29 de março de 2008

A Beatle-Caverna

Cheguei no destino tão sonhado tentando controlar a euforia e incredulidade que ao encontrar os tradicionais baldes de cerveja desse reino poderiam resultar na metamorfose em ‘Mr. Hyde Cachaceiro’ que normalmete ocorre com o amigo que vos escreve. E daí? Eu também tava lá pra isso!!
Na porta, além das fotos de lei, a boa notícia da entrada ‘de grátis’. Descendo os tantos lances de escada, cada um com o logo do bar com os registros dos que passaram por ali com uma caneta ‘pilot’ à mão (dei mole...) até o subterrâneo que explica o nome do lugar por si só. Descendo o Cavern a impressão que se tem é de que se está entrando num bunker e chegando lá a parada é realmene ‘cavernosa’.
Três ‘túneis’ interligados por três arcos nas duas paredes divisórias, sendo que o túnel do meio é onde fica o palco (bem maior do que o original onde os ‘caras’ se espremiam) e a turma do gargarejo, óbvio. Nos outros dois aos lados ficam a maioria das mesas e algumas máquinas de pôquer eletrônico. O bar na parte de trás à direita de quem chega é decorado por cartazes de várias artistas que tocaram lá na fase áurea e depois do fim da banda. Pense nos figurões do rock n’roll e terás uma idéia de quem já tocou por lá. E quem não quer fazê-lo onde os Beatles tocaram antes de conquistar o mundo? Fala sério! Ao lado do balcão tem uma tradicional cabine telefônica (sem telefone) que inspira os bebuns a se transformarem em Superman ou simplesmente tentar ‘chamar Raul’ sem DDD. Já falei que a cerveja em Liverpool é barata comparando com Londres? Pois é, no Cavern não é diferente. Mais em casa impossível!
E casa cheia com banda cover á rigor tocando todos os ‘clássicos beatlenianos’ como não podia deixar de ser. Deleite total! Fomos embora já no fim e depois de várias pensando em descansar um pouco a carcaça já que o dia seguinte seria de peregrinação total em busca de estórias pra contar na volta pro ‘home sweet home’.

A rua da chocadeira ‘BLITÔNICA’!


Se você não nunca ouviu falar no Cavern Club, não conhece quase nada de Beatles, ou simplesmente não gosta, vai ler outra coisa. Eu, fã por herança fieldiana e bom gosto, realizei um sonho de moleque até então pra lá de distante. Acompanhado pelo meu casal de amigos aventureiros saí do museu sedento por uma gelada e nada melhor do que fazer isso ‘onde tudo começou’. De mapa na mão fomos rumo ao ‘Clube mais famoso do Mundo’. Os mapas de lá são muito doidos. Ou eu, sei lá, pois tinha que virar de cabeça pra baixo (o mapa, por favor) pra tentar me localizar a cada quarteirão desbravado.
Depois de brincar de labirinto por alguns minutos, chegamos na ‘Mathew Street’, rua que abriga o ‘Cavern Club’, assim como outros tantos bares e lojas que vivem da história do quarteto. O curioso é que eu esperava que a cidade girasse de certa forma em torno disso, que a fama da banda fosse algo exaustivamente explorado. Mas não é, apesar da quantidade de gente que como eu que só vai lá por causa disso. É claro que há empresas de turismo, ônibus temático e o escambau que faz todo o roteiro Beatles, mas a coisa não é tão intensa como eu esperava. A cidade é grande, o comércio é fortíssimo, independe economicamente dos caras, enfim, a empolgação fica por conta dos fãs do mundo todo que vai lá por alguns dias, mas que na maioria ficam em hotéis baratos, tiram fotos, compram algumas bugingangas e volta pra casa.

“Vento, ventania, me leve pra qualquer canto do mundo”


Detalhes de nossas instalações e companheiros de quarto à parte (outro capítulo ‘prum futuro distante...’) o Hostel cumpria as necessidades básicas de sono e banho. Na manhã seguinte levantamos cedo pra percorrer o máximo possível da cidade e otimizar algum tempo livre a fim de conhecer os pubs locais. Frio, chuva fina chata pra porra, ventania de fazer guarda-chuva virar pipa, e lá fomos nós em direção ao lugar que ‘fez’ a cidade, base da economia e riqueza local, o porto de Liverpool. O Museu Marítimo, o Museu Internacional da Escravidão (um dos mais importantes do mundo) e o Museu dos Beatles ficam no complexo de prédios do ‘Albert Dock’. Depois de várias fotos e alguma História depois, partimos pro Museu dos ‘4 caras que chacoalharam o mundo’. Fotos na entrada pra registrar pra posteridade (lá dentro é proibido) e compra do ingresso pra mergulhar no universo beatlemaníaco. “Yeah, yeah, yeah...!!”.

terça-feira, 11 de março de 2008

Astrais não têm Stress!!


É covardia pedir aos meus maltratados neurônios pra lembrar de tanta coisa, ainda mais sem tempo pra colocar no ‘papel’ como sempre. Quem sabe um dia essas aventuras e outras estórias viram livro. Nem que seja um psicografado!!
Os detalhes um dia eu conto ‘ao vivo’ pra vocês, porque o resumo da coisa é mais ou menos esse: chegamos na cidade que me surpreendeu de cara pelo tamanho e pela mulherada com trajes mínimos num frio de –5 graus. Desde a Escócia (mulherada corajosa!) não via tantas pernas de fora e mamilos alcaguetes assim. Amei!!
Partimos pro Embassie Hostel, nosso ‘albergue’ por lá. Fomos recepcionados com chá e biscoitos pelo dono que fez questão de contar causos de sua juventude e de como conheceu os Beatles quando todos eram moleques. Um dos maiores baratos da viagem foi conhecer a figura da foto acima entre eu e o Caio num momento de ‘Rá’ total. Jay, um coroa jamaicano contador de estórias da melhor qualidade, dono de uma simpatia e carisma fora de séries, viajado pra cacete, ex-marido de uma brasileira (foi garimpeiro em Serra Pelada na década de 70) e parceiro de baforadas de Bob Marley. Nem preciso dizer que virei noite entre papos e risadas com o maluco, né não?!

"Morro acima e contra o Vento".


Aceito o convite pra ir pra casa da 'Pri' de imediato, o próximo passo foi achar alguém que pudesse me emprestar uma grana pra completar o depósito a fim de garantir o teto nosso de cada dia. Mas entre uma miséria e outra havia minha trip pra Meca do Rock n’ Roll. Partiu!!
Saí de manhã cedo rumo á Victoria Station de onde partiria o buzú pra Liverpool. Na pressa e com medo do trânsito em pleno rush fui direto pro metrô. Pior do que engarrafamento é ficar parado dentro de um estreito túnel num vagão lotado. Claro que o ‘pior’ daqui muitas vezes é bem melhor do que o ‘melhor’ por aí.
Piores à parte, eu tava atrasado. Era só o que me faltava, perder a viagem pra Liverpool pra completar a minha via-crucis. Saltei no desespero em South Kensington na esperança de trocar de linha e chegar em tempo. Tô eu subindo as escadas com o companheiro mochilão quando percebo uma multidão em sentido contrário. “Babou”, foi o que me veio na hora. Logo depois o auto-falante avisando que tava tudo parado, pane total, fudido. Mais ainda eu, que mesmo aos trancos e barrancos já tava dentro da porra do metrô e agora teria que esperar outro na certeza de ir em pé e espremido. Atrasado? A essa altura nem olhava mais o relógio pra não piorar o quadro assinado por Murphy.
Depois de uma eternidade cheguei na estação correndo feito um doido pra pegar o desconjurado do ônibus. Se fosse no Rio já teriam gritado ‘pega ladrão’ ou me confundido com um camelô fugindo do ‘Rapa’. A estação do buzú nao é a mesma do metrô/trem mas fica a menos de 10 minutos de caminhada de lá, só que com peso extra, em cima do laço, xingando tudo e todos, parecia não chegar nunca. Enfim, adentrei os corredores de onde partem os ‘Cata-Cornos Europeus’ procurando pelo casal brazuca e nada. E eu torcendo pra eles terem me passado o horário da passagem contando com nossa famosa pontualidade tupiniquim. Porra nenhuma! Olho pra garagem e ao ver uma fila no ‘check-in’ meu instinto azarão me disse na hora: “é lá!!”.
Fui o último a entrar no buzão. Um minuto a mais e já era. Poltrona achada, bagagem acomodada e aquela chapada estratégica para aliviar o stress e ajudar as 5hs de estrada passarem mais rápido.

domingo, 9 de março de 2008

Saudades...

Foi-se minha Julinha, a Julie, minha Tia Sandra e de mais outros tantos. Foi levando o sorriso mais cheio de dentes que já vi, a risada inconfundível e inesquecível, assim como os cabelos 1001 modelos e motivos de tantos apelidos, a alegria e o carinho com que sempre tratou a todos. Eu poderia escrever até a mão cair e não conseguiria fazer jús à minha querida Julinha, aos tantos momentos importantes e mais outros milhares em sua companhia, muito menos dar conta do que ela significa pra mim.
Lá se vão 18 anos desde que nos conhecemos. Nenhum dos dois seria capaz de fazer idéia da relação, da amizade, da cumplicidade, dos amor que se resultaria do nosso encontro. Eu, moleque, 17 anos de idade, olhava pro seu cabelinho então Channel balançando de tanto que ria das nossas palhaçadas no curso de teatro da então Festa & Cia. Lembro dela na meia porta da cozinha com o copo americano de cerveja na mão, um olho no palco e outro no panelão de cachorro-quente famoso entre a molecada e frequentadores da casa.
Todo pai/mãe de amigo ou adulto em meio comum vira tio/tia, mas lembro bem quando passei a considerar, a sentir a “Tia Sandra” dos seus ex-alunos, da galera do teatro, mais tia do que todos os outros. Essas lembranças trazem um suspiro profundo, uma sequência enorme de flash-backs impossível de se colocar em ordem ou tentar resumir.
Lembro de quando comecei a morar sozinho, 18 anos, vários perrengues, principalmente no quesito alimentação, já que o miojão reinava no meu lar. Não foi uma nem duas vezes que ela me chamou no canto com uma marmita em forma de pote de sorvete cheia de cachorro-quente ou outros quitutes que sobravam das festas que ela recepcionava na casa. Essas festas, trabalho na copa, portaria, segurança, cervejada com o “staff” e afins são outro capítulo. Meu pequeno apartamento não tinha nem uma sacadinha sequer pra chamar de varanda e por isso eu costumava dizer que a casa 107 era o meu quintal. Até porque não saia de lá!
Nessa época o nosso convívio era quase diário. Quase é jeito de falar porque quando não nos encontrávamos na casa era certo isso acontecer nas mesas de bar. Tanto era que a casa virou um. Esse é outro capítulo gigante. Complicado falar sobre tanta coisa, tentar resumir a fase mais intensa da minha vida, mesmo pincelando de leve as incontáveis coisas que vêm aos olhos quando penso em Julinha e nas vezes em que a encontrei, que estivemos juntos, ou em que me peguei pensando nela.
Lembro dela se preocupando comigo, falando pra eu tomar juízo, do seu morango ao leite em meus tempos de úlcera, do carinho quando eu estava triste e dos conselhos que sempre terminavam em xingamentos e risadas pra tudo quando era lado. Adorava xingar com ela! Engraçado demais porque ela ia se empolgando e começava a me repetir xingando, daí eu ia baixando o nível, e ela repetindo..., terminávamos às gargalhadas quase sempre chorando de tanto rir.
Me lembro quando ligava pra ela e ficávamos papeando, falando besteiras. Me chamava pra ir na sua casa dizendo que ia cozinhar isso, aquilo (quem provou sabe da mão fora de série da Julinha), que ia fritar os salgados motivos do meu vício, comprar cerveja..., e eu babando do outro lado da linha falando que ia, que já tava lá, mas volta e meia furava por causa de mulher enchendo o saco, ressacas gigantes, ou outros tipos de incapacidades momentâneas. Depois esbarrava com ela no meio da rua, me xingava um bocado puta da vida e depois da primeira palhaçada já caía na gargalhada marcando um chopp ou era dali mesmo direto pra uns.
Ah, chopp..., com Julinha foram galões. A gente se encontrava ou ela passava lá em casa de carro pra me pegar e “encher a palhaça”. Eu dizia que não precisava mas ela insistia dizendo que era pra evitar eu ir de moto porque ‘o problema é na volta’. Saía eu e minha ‘Tia Gatosa’, como ela mesmo dizia (gata + idosa! rsrsrs). Viramos muitas noitadas em vários botecos, bares e afins juntos sem nenhuma desculpa que não fosse rir. Muito engraçado ela rindo, se mexendo toda, a cabeça balançando o cabelinho, os olhos cheios d’água denunciando as gargalhadas...

Nossa cervejinha na praia! Outra dezena de capítulos. Quiosques em Charitas, Piratininga, casa em Itacoatiara, Búzios, era sempre a mesma estória: “Liga pra Robertinho!!”. E lá ia eu sabendo o que tava pra acontecer, que qualquer outro compromisso simplesmente já era e mesmo assim feliz da vida. Distante dos meus pais, dos meus irmãos, mas em família, mais em casa do que em qualquer outro lugar. Eu e minha Julinha, minha tia, minha amiga, meu saquinho de riso, minha companheira de copo, de desabafos..., e agora minha saudade.
Desde o dia em que soube de sua partida me pego pensando, lembrando, rindo, chorando, orando por ela, saudoso de tanta coisa mas ao mesmo tempo certo de que está no melhor lugar possível. Minha Julie é uma das melhores pessoas que conheci e daquelas raras de se encontar. Prendadíssima, talentosa, carinhosa. Gente boa toda vida! Estão aí os amigos, a mãe, os filhos, e os não sei quantos ‘sobrinhos’ que não me deixam mentir.
O último fim de semana em que estivemos juntos foi como de hábito. Praiana, ‘palhaça cheia’, pança ídem, diversão do início ao fim. Isso foi um pouco antes de eu vir pra Londres. E agora é isso, somado ao tanto que vivemos, que fica. Agradeço a Deus por tê-la colocado na minha vida e pelas tantas lembranças e carinho que me deixou. Ao rascunhar essas linhas me vi surpreso por me lembrar de tanto, pois cada palavra me trazia um velho fato novo. Simplesmente porque Julinha não ficou na cabeça, mas no coração. Seu nome está gravado no meu.

Inté Juuuuulie! E não deixe de olhar por mim porque você me conhece!! Rsrsrs...

Beijos com o amor de sempre,
Robertinho.

domingo, 13 de janeiro de 2008

"The Pursuit of Happiness"

Mesmo ficando velho não abandono o esporte que me consagrou. O chute no balde. Por isso não hesitei em largar a casa que era como um lar de fato ainda que não tivesse pra onde ir. Acordei um dia, peguei a mochila, meti a viola no saco e parti pra casa de uns malucos por uns dias enquanto procurava um novo porto. Mas como maluco é maluco, no segundo dia por lá vi que aquilo ia dar merda. Três dias depois encontrei uma conhecida ao pegar um ônibus que comovida pela minha estória de sem-teto me ofereceu estadia por uns tempos. Quando alguém te oferece alguma coisa como essa por aqui podes crer que é por pouco tempo mesmo e tendo que pagar por isso. Ela não aceitou meu dinheiro mas exigiu que eu varresse, lavasse, cozinhasse e ainda a sodomisasse às 6:30 da manhã todos os dias impreterivelmente. Pra completar não tinha aquecimento no lugar e nem chuveiro, o que significou banho de balde numa temperatura glacial e um frio dentro de casa maior do que lá fora. Estava ansioso pra sair dessa furada quando descobri um ninho de ratazanas dividindo a casa sem pagar aluguel. Passou da hora de vazar. Eu estava numa correria miserável atrás de um lugar pra morar sem sucesso havia umas duas semanas. Comecei a pensar que talvez fosse a hora de fazer as malas e voltar pra casa. Bater na lona, desistir, go back. Estava trabalhando feito um corno, andando feito um pagador de promessas à procura de casas que não podia pagar e quando do contrário eram longe demais ou piores do que o banco da praça. Perrengue total! Mas minha fé não é pequena e tô pra ver sujeito mais teimoso do que eu.
Pra completar o quadro de miséria, havia pedido férias de uma semana um mês antes dessa desgracença toda e esquecido completamente disso. Tinha planejado uma viagem pra Liverpool com meu querido casal Caio Jaú e Suzana (Jaú de tão cheia tá exportando gente pra cá!) antes de toda essa situação sendo que agora não tinha dinheiro nem onde largar minhas coisas. Mas como ‘Alguém lá em cima gosta muito de Mim’, me apareceu a Pri, pessoa linda que adoro desproporcionalmente ao tempo que conheço pra dar uma mão, um teto, um sofá, e principalmente, um chuveiro com direito a aquecimento. Chorei!No meio dessa confusão toda me juntei com mais dois amigos do trabalho e partimos à procura de um teto comum. A união faz a força e minha estratégia de ‘Lobo Solitário’ não estava funcionando dessa vez. Depois de muita andança e bate cabeça daqui e dali, achamos aquele que poderia ser o lugar pra formação do novo QG. Tudo então era uma questão de grana (como sempre...) e burocracia por parte da imobiliária, checagem de crédito, entre outras sacanagens. Mas no meio disso tudo tinha a minha viagem pra Liverpool. Pensei em não ir pois tinha milhões de coisas pra me preocupar e tentar agilizar. Mas já tava tudo pago e eu não podia perder a chance de conhecer o lugar onde John, Paul, George e Ringo nasceram nem minhas primeiras ‘férias’ em um ano. É ruim, hein!!

O Fim de um Ciclo


Não, isso não é uma sequência ou sequela do Natal de 2006. É o meu então ‘flat mate’ Mr. Fruit, devidamente traduzido, tirando uma pestana depois de dar cabo de alguns baldes de qualquer dessas cervejas pra cavalo que vendem por aqui. Não vou nem tentar lembrar quantas noites viramos papeando, rindo da porra toda, embalados por louras exclusivamente geladas na ‘Home Sweet Home’, mais conhecida como ‘Toca dos Birros’. Até porque ‘cerveja gelada’ não faz parte dos hábitos desse povo e pra nós é algo praticamente religioso. Por isso era da prateleira do mercado direto pro freezer. Assim como nosso trato tácito de haver sempre uma caixona em casa não importasse o calendário ou dia livre de cada um. Fechamos o pacto de que toda quinta ou sexta-feira quem estivesse de folga ou com o mínimo de tempo livre deveria ir ao mercado e garantir o ‘mé caseiro’. E assim foi por quase um ano. Muita coisa vivida, muita história, dificuldades e conquistas divididas como em família, amizade fortalecida todos os dias, brindada todas as horas e comemorada até hoje!
As coisas aqui acontecem muito rápido, a dinâmica da cidade é frenética, gente de todo o mundo vindo e indo sem tempo a perder, tempo é dinheiro e em libra é muito mais caro, etc., etc. Por conta disso, mudanças fazem parte do cotidiano local mais do que posso descrever escrevendo aqui. Mudanças de casa, de trabalho, de país, enfim, o mundo gira, gira-mundo e quando se vê já mudou de novo.
Numa dessas o Fruit viu que o prazo de validade por aqui teve a primeira metade vencida e era hora de otimizar o tempo pra acumular mais estórias pra contar pro povo na volta pra casa. Foi passar umas semanas na Terrinha Brasilis pra recarregar as forças e na volta estava decidido que se mudaria pra outra casa, outro bairro, outras pessoas, outras experiências. Eu e o Juba demos a maior força mesmo sabendo que estaria se quebrando uma corrente, que sentiríamos falta do nosso camarada, mas que seria bom pra ele, enfim, foi-se o Fruta. Como essas coisas não vêm sozinhas, logo depois foi a vez do Juba deixar a base rumo ao interior da Inglaterra pra cursar seu mestrado. De repente me vi na ‘Toca’ sem os caras que tanto me ajudaram nesse início aqui e com outras pessoas pra dividir o espaço, contas e as malditas responsabilidades da vida adulta. A casa não era mais a mesma, as coisas não eram mais as mesmas e as cervejas nem se fala. Hora de partir, procurar um outro canto, outra gente, parar de falar português, disse eu pra mim mesmo. E assim foi. A ‘Máfia do 85’ permanece pra sempre, mas a sede no nosso clube foi desativada em setembro de 2007 com a saída dos caras e com o começo da pior fase vivida por mim nessa terra desde a chegada.

"Longe de casa há mais de uma semana..."


Nosso primeiro Natal em Londres! Meu e do Fruit, porque o Juba e a Larica são veteranos na parada, daqui a pouco viram ingleses e tudo (toc, toc, toc!). Na verdade, meu primeiro Natal longe da família em todos os tempos. Lá em casa Revéillon é liberado pra se chutar o balde onde quiser, mas Natal com a ‘Fields Family’ sempre foi sagrado. E como o primeiro a gente nunca esquece, guardo as recordações da friaca miserável, da comilança e beberrança desenfreada do inédito 'Merry Christmas'. Como dia 25 quase nada funciona nesse Reino, inclusive transportes, compramos provisão pra passarmos um mês sob ataque nuclear caso o mundo decidisse acabar. Cerveja, pra variar, tinha até o teto, mas não contavámos com um problema de logística: geladeira pra tanto. Fomos socorridos pelo frio careca que marcava de -2 a -4. Colocamos as latonas na varanda e pela primeira vez na vida pude abrir uma cerveja direto da caixa mais gelada do que vinda de uma Brastemp! Chapamos umas 7 da manhã que no inverno ainda é noite e acordamos umas 3:30 da tarde que nessa época já é noite também. A sensação foi um coisa muito doida e não nos restou muito senão continuarmos os trabalhos iniciados na noite anterior que pra nós não tinha acabado.

A Etílica Trindade

É, o tempo passa, o tempo voa, e graças a Deus que fez do fígado o único orgão com capacidade regenerativa, nós continuamos aí nem muito firmes, nem muito fortes, mas se derrubar é pênalti!!
A foto acima é o registro da primeira vez em que se reuniu a ‘Máfia do 85’. Lá se vai mais de um ano!! Lembro como se fosse qualquer dia quando fiz aquela clássica pergunta ‘qual é a boa hoje?’ pro Juba e ouvi que ele tinha que encontrar um cara recém chegado em Londres vindo da mesma cidade que ele, a mundialmente conhecida Jaú (SP). Conhecida pela facilidade da rima, claro. Eles se conheciam dos tempos de colégio, mas por conta das idades e classes diferentes, apenas de vista. Foi então que o Juba me disse ter marcado uma cerva com o cara no ‘The Walkers’, bar legal e super bem localizado em plena Picadilly Circus que contava com as cervejas mais baratas da área mais famosa da cidade. Como quando a esmola é grande o Santo desconfia, não demorou muito pra esse ‘Oásis da Manguaça’ fechar as portas pra tristeza inconsolável deste que vos escreve.
Voltando ao raio da estória. Juba me disse que iria encontrar o conterrâneo só pra tomar aquelas e falar sobre a terrinha, pegar algumas bugingangas mandadas pela sua mãe através do jauense, e que não sabia se iria demorar muito, aquelas coisas, quando perguntou se eu queria aparecer por lá, tomar aquelas, falar sobre a terrinha..., já viu né?! Eu que já tava pela área não pensei nem uma vez e parti rumo a mais um pretexto velho de guerra. Chegando lá fui apresentado ao sujeito com ‘córnios’ de moleque (até porque com 22 anos costuma-se ter uma), o made in Jaú, Rodrigo Furuta. ‘Prazer’, ‘tim-tim’, ‘saúde’, ‘mais uma rodada’, aquelas coisas de sempre e em poucos minutos e muitas risadas depois estava claro que havia uma grande indentificação nos quesitos música, besteirol, zoeira e afins que fez com que depois da quinta ou sexta ida ao balcão para recarregamento dos baldes decretássemos que juntaríamos as forças pra formar nossa República na Terra da Beth, dividir as contas e multiplicar as cervejas.
Isso foi no final de novembro de 2006. Na véspera do Natal do mesmo ano Rodrigo veio de mala e cuía para fechar o clã dos Super Birros em Londres sendo batizado de ‘Fruta’ por mim de bate pronto (com um sobrenome desse, fazer o quê?) e o melhor: riu, bebeu todas e fechou a ‘Etílica Trindade’ que faria dessa cidade um lugar melhor de se viver, mais fácil de suportar as grandes diferenças e dificuldades que fazem parte do pacote quando se parte pra uma vida no exterior sem falar a língua, sem papai bancando, sem salvação na base do jeitinho.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

“Sorry Periferia”


Este blog está em crise! Falta tempo, disposição e inspiração para escrever aos meus três fiéis, assíduos e cúmplices amigos/leitores. Nataly, Genô, Loucura, saudades de vocês e dos nossos papos sempre muito bem regados e ‘ao vivo’!!
Enquanto a crise não passa, vou me recuperando das Festas de Fim de Ano nesse agradável Spa perto de casa (foto acima), ansioso pra voltar a escrever novas/velhas estórias como simples pretexto de manter contato com vocês, com os amigos ‘anônimos’, ou outros que por aqui passam sem deixar recado.

Caso tenham algum presente atrasado, postal, cartas, etc., favor mandar pro endereço do Spa da rede Wetherspoon a seguir: http://www.jdwetherspoon.co.uk/pubs/pub-details.php?PubNumber=145

Em tempo: Feliz Ano Novo a todos!!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Eu e a Coroa da Beth.


É, estou completando um ano na terra da sogra da Lady Di (que Deus a tenha!), a matriarca flagrada na foto acima em um dos raríssimos momentos de descontração, brincando com um ‘vento encanado’ oriundo de uma das passagens secretas que levam às masmorras do Palácio de Buckingham, onde estão devidamente escondidas as telas que retratam a infância dos membros da família real.
Depois desse tempo em terras distantes, creio que chegou a hora de uma mudança drástica de estratégia, pois mesmo estando do ‘outro lado de lá’ tenho que manter a minha reputação de chutador de balde profissional. Então é o momento de ‘dar um gás nas paradas’, otimizar as coisas em geral, pois aquele tal período de adaptação já foi. Mas isso sem aumentar a carga de trabalho e de manguáça, of course, porque senão bato as botas em tempo recorde.
Pra começar, preciso deixar minha pesquisa etílico-etnográfica em segundo plano. Diminuindo minhas visitas aos pubs londrinos e perseverando na labuta terei como juntar uma grana pra comprar a tão sonhada câmera fotográfica, viajar, fazer uma pós-graduação na London University e até financiar uma casa em Nothing Hill. Sem contar o tempo que terei disponível pra afinar o violão e o gogó, além de cair de língua na inglesa. De cara na língua inglesa, quero dizer.
Das duas, uma. Ou eu nado contra a minha correnteza e coloco esses planos em prática, ou reservem ‘as carnes’ e aquele carregamento pesado de cerveja gelada pra festa de reentrada na ‘Terrinha do Ôba-Ôba’, podendo começar essa zoeira no Natal e só terminar na Quarta-Feira de Cinzas!! Rezem pela primeira opção, do contrário..., preparem-se!!!


foto: Christophe Gilbert

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O aniversário da Chefe.



Trabalho aqui é algo bem diferente do que estamos acostumados. Se é que se acostumar com trabalho, qualquer e onde quer que seja, é algo que merece reflexão, de preferência deitado numa rede de frente pra praia devidamente bem acompanhado etílica-gastronômica-carnalmente falando. Mas o fato é que aqui o velho ditado ‘tempo é dinheiro’ é colocado em prática todos os dias (se você quiser e tiver disposição, claro). Como se ganha por hora, e não por mês ou por dia trabalhado, e Londres é a capital mais cara do mundo, a coisa funciona realmente de uma outra maneira. No meu caso, não sei o que é sábado e domingo desde que aderi ao proletariado local. Normalmente, meu final de semana cai numa terça e quarta. Podia ser pior..., podia não cair.
Num desses foi aniversário da minha gerente. Uma ucraniana amiga e gente boa chamada Victoria e que se amarra na minha capacidade de conseguir traduzir bobagens pra uma língua que não sei falar e de espancar o violão sem a menor piedade.
Foi marcado então um pic-nic no Bishop's Park pra comemorar a data e reunir uma galera legal, cada um vindo de um canto diferente do globo, mas com várias ‘viagens’ em comum. Não lembro quem estava tirando fotos, só sei que ou esse alguém estava bêbado, ou não sabe tirar foto mesmo (provavelmente os dois) porque foram tiradas dezenas e não houve nenhuma que desse uma idéia da quantidade de pessoas que tinha por lá, tudo torto, cortado (como se pode ver pela metade do meu braço e do violão na foto), lembrando certas fotos de máquinas com filme e sem o salvador 'delete'. Mas o importante mesmo é que ficamos naquele lazer durante toda a tarde, cervejada, viola e bate papo até o parque fechar quando o breu já era praticamente total. De lá partimos pra um pub e de lá pra..., bem, ‘de lá’ eu só lembro que já era outro dia, quarta ou quinta talvez.

Do Gragoatá ao Hyde Park!


A foto acima foi tirada no dia em que minha querida amiga Simone chegou à Londres. Sempre é muito bom reencontrar amigos, ainda mais quando se está tão longe de casa. Conheci a ‘Si’ em 1997 (Pqp! 10 anos!!) quando cursávamos Ciências Sociais na UFF. Muitos anos, várias estórias depois, cada um foi pra um lado e ficamos anos sem nos ver, sabendo um do outro através dos amigos em comum ou mantendo contato por email, msn, orkut e afins, assim como com outros colegas de classe.
Lembro do dia em que ela me disse que estava preparando as malas rumo à Paris para fazer seu doutorado. Fiquei feliz só de saber que teria em breve uma amiga, uma referência da velha terrinha tão ‘perto’ e como seria legal esse encontro histórico. Pois é, meses depois de muito estudo e croissants na 'Cidade Luz', ela botou o mochilão nas costas e veio me visitar na 'Terra do Sherlock'! Fui pegá-la na Victoria Station e de lá partimos para Soho Square (foto) a fim de atualizarmos a conversa e curtirmos aquele belo dia de Sol. Mas por que essa pequena praça sem maiores atrativos senão o povo mais do que eclético e sem maiores preocupações, a cerveja gelada e barata no mercado próximo e um dos poucos banheiros públicos de graça da cidade (raro, quase único) ao invés de algum cenário tipicamente londrino? É porque, além de tudo isso, adoro o 'descompromisso Babélico' desse lugar. Demorôôô!!
Ela passou alguns dias aqui e estes só não foram melhores porque não consegui um hábeas corpus pra sair da Senzala e lhe dar atenção total com direito a um grande tour pela cidade. Mas meu amigo Mr. Fruit assumiu o papel, e juntamente com o Juba, ajudou a dar aquela cobertura tornando sua visita no mínimo agradável. Mas mesmo assim foi mais do que bom matar as saudades, rir de doer a cara e colocar o papo de tanto tempo em dia em terras estrangeiras!
Valeu Si! Desculpa por você ter comido tão mal nesses dias aqui em casa (cerveja tinha pra tudo que é lado, mas comida mesmo...) e por qualquer outra coisa que não me lembro agora. Espero que não demore muito pra arrumar uma boa desculpa pra aparecer pela Zoropa de novo e reeditarmos esse nosso 'meeting' em um canto qualquer do Velho Mundo! Ou na Argélia, já que você é ‘local’ e não precisa esquentar a cabeça com visto/passaporte! Ahahahaha
Beijão e boa sorte em sua reentrada na Terra Brasilis!!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sessão 'Flash Back'! - Parte V

Essa é a saideira da 'Sessão Flash-Back'. Pretendo arrumar tempo pra voltar a escrever sobre minha passagem pela 'Terra da Beth', tirar novas fotos, conhecer novos lugares, mandar notícias para a família e amigos ''do outro lado de lá", enfim, pretendo mas não prometo nada.
E esta é dedicada à Paula Gampert, amiga de infância/adolescência em São Pedro da Aldeia, 'resgatada' pelo orkut e que docemente se dispôs a atender ao meu pedido pra que tirasse fotos da nossa querida Lagoa de Araruama e ilustrasse esse post, pois inacreditavelmente não tenho registro desse lindo pôr-do-Sol na 'nossa' Praia do Sudoeste que meu pobre resquício de memória insiste em guardar. Obrigado, Paulinha! Tá guardado no coração (porque o cérebro...)!!

CRÔNICA À BEIRA DA LAGOA

Faz tempo, mas me lembro como se fosse hoje de um dia passado no balneário que tanto gosto, reencontrando amigos, molhando raízes. Ri de estórias, causos, personagens folclóricos naquelas rodas formadas por estranhos e conhecidos. Nessas rodas a gente encontra muitos tipos. Gente "letrada", outras bem informadas e até as mais simples. Essas últimas são as melhores de se reencontrar. Fala-se de política, futebol, mulheres, mentiras... . Parece redundante, mas não é. O melhor mesmo, além de conhecer e rever certas figuras é rir dos "acontecidos" sempre inusitados. Volta e meia alguém tira uma dessas pérolas do fundo do baú e todo mundo se acaba. É risada garantida! Nesse dia, num intervalo entre uma risada e outra, uma dessas figuras, um humilde pescador, olhou pra todos os membros daquele "Encontro da Lorota" e perguntou expirando seus anos já vividos: "O que é o amô? Cês sabe o qué o amô?!"
Não sei de onde ele tirou isso, já que o que se falava não tinha nada a ver com esse papo. Mesmo assim, todos se olharam como se esperassem uma resposta. Fiquei quieto observando a cena pensando que aquilo pudesse ser uma piada. Nem pensei em arriscar responder porque não queria dar o gosto de rirem da minha cara. Mas o velho estava sério e me olhando. De um jeito qualquer, os outros disfarçaram e quando vi, a batata quente estava na minha mão. Eu poderia tentar dar uma volta, “filosofar” sobre o assunto, mas fiquei curioso e disse que não sabia. O pescador apontou o dedo em minha direção e depois para cada um que estava ali enquanto dizia: “Pra quem num sabe, esse é o nome duns lugar escondido nuns canto do coração, onde cabe uma só pessoa”.
Eu abaixei a cabeça e sorri. Os outros se olhavam e concordavam com o velho que se gabava pela atenção que todos lhe davam. Bastou isso para que ele ganhasse confiança e começasse a falar de suas aventuras pesqueiras e sucessos amorosos. Cativou a todos. Não pelos exageros e mentiras notoriamente reconhecidos da profissão, mas por conseguir nos fazer ver a “lonjura” da estrada que temos pra andar e que nem tudo é estória de pescador.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sessão 'Flash Back'! - Parte IV


Nessa sessão ainda sobre 'causos antigos', vale ressaltar a participação mais do que especial da minha 'old friend' Natália, a Nataly, nessa postagem do blog. Como venho ilustrando todas com fotos sobre o que tá escrito (cabe recurso!), dessa vez não poderia ser diferente. Mas como aqui há uma carência grande desse cenário específico, pedi para que minha amiga, leitora, colaboradora e manguaceira internacional fizesse e mandasse um registro da locação em questão. Podia ficar muito melhor (ela tem crédito! rs), mas a sequela e a preguiça são uma merda! Valeu, Nataly, essa é pra você!!!


O PASTEL CHINÊS

Acredito que nós homens (e os boiólas-baitôlas também) nos identificamos com certos animais ao longo de nossas vidas, como naquela piada da “Idade do Condor”, ou a dos “Estágios do Porre”, etc. Portanto, não é difícil encontrarmos sujeitos se comportando como macacos, porcos, ou viadinhos. Se eu quissese me classificar como bicho, lembraria da “fase animal” mais longa que passei (durou mais ou menos uns 30 anos) como um parente de avestruz. Podia também se chamar “fase bode”, porque esses bichos comem qualquer merda que vêem pela frente. Pois é, o meu estômago era igual a uma pia de cozinha americana, aquela em que você vai jogando qualquer coisa e empurrando pro triturador de lixo processar.
Isso me faz lembrar a época que eu, junto com um companheiro de manguáça daqueles anos, trabalhava numa empresa na Av. Almirante Barroso no centro do RJ e tirava a hora do almoço pra tentar compensar a aporrinhação do dia a dia. Almoço é modo de falar, porque graças ao nosso hobby cachaceiro, lanchávamos muitas vezes para poder vender ou guardar os tickets-refeição para os porres dos fins de semana ou qualquer outro evento etílico de ocasião. Então, não podíamos ver uma daquelas promoções de “Refresco + Salgado = 1 Real” que parávamos logo pra dar uma olhada no veneno em forma de quitute.
Nessa rota suicida derivada dos tempos da pindaíba, nós encontramos várias massarocas não identificadas, e mesmo assim não dávamos trégua, pois macho que é macho come mermo!! Quando queríamos “comer bem”, íamos ao "Árabe" (Travessa dos Poetas) e enchíamos a cara de quibe e chopp. Era certo voltar pro trabalho meio doido e arrotando cebola com molho de alho.
Numa dessas empreitadas, resolvemos procurar um outro fornecedor de drogas, pois não agüentávamos mais comer os salgados quase crús do “Itahy Lanches”. Eu pedia uma esfirra e parecia que tava comendo uma bóia de braço. Meu ébrio colega cometia uma mistura de suruba com as raízes e canibalismo antropofágico ao comer dois italianos de uma vez só. Eram cenas muito pesadas, e mais pesadas ainda ficavam quando batia o refresco de água suja por cima disso tudo. Rodamos muito pra encontrarmos um novo “Bate e Entope” em promoção. O “Ilha dos Sucos Lanches”, onde comíamos e difamávamos, tinha fechado. O filho da puta fechou e não avisou a ninguém! Até hoje eu tenho uns 15 contos em vale daquela porra!! O salgado de lá era ruim, mas era melhor do que os outros. Achamos que depois dessa indigesta surpresa não tínhamos mais pra onde correr.
Sem tempo para continuar a expedição, pressionados pela fome e desesperados com a idéia de voltar para o trabalho, tentamos lembrar qual seria a opção mais próxima. A “Pastelaria do Oriente” era logo ao lado (Rua México) , mas tínhamos feito a promessa de não nos envenenarmos mais lá. Mas como nenhum dos dois nunca teve palavra nenhuma, fomos pra lá mesmo.
Uma vez eu chamei a pastelaria de “Embaixada - Importadora Chinesa de mão-de-obra Clandestina”, pois a cada semana aparecia um china diferente por lá. Somente olhos apurados podem distinguir um chinês do outro. O que facilitava era que os mais antigos já sabiam falar “obligado” e os novos nem isso. Pedi então, em português bem claro, uma promoção:

- Caine, quexo, camalão ou flango, me perguntou o oriental!
- Frango com refresco de laranja, eu disse.
- Larancha?
- É..., “larancha”!!!

Enquanto um dos novos chineses providenciava o complexo pedido, eu observava mais uma vez sem acreditar ser possível um lugar daquele continuar aberto e bem no centro do centro do Rio de Janeiro. O chão era imundo. Os copos ficavam enfileirados em cima de uma pia prontos para receberem o caldo de cana. Ao retirar a jarra cheia do caldo que era jorrado nos copos (a máquina do caldo ficava pingando e molhando o chão sem parar), se espalhava e se pisava naquele troço todo que logo virava uma gosma igual a um piche preto e grudento. Costumo dizer que tá pra nascer sujeito mais porco que chinês (não vamos generalizar, apenas alguns milhões). As camisas, que eram brancas, pareciam uma mistura de pano de chão com colete à prova de balas, pois eram emporcalhadas e duras de tanto que eles limpavam as mãos sujas com aquelas unhas grandes e pretas que mais pareciam ter saído de um bueiro. Nem todos os salgados eram ruins. Eram até bonitos, mas o lugar poderia ser interditado à primeira vista. Se ali no balcão já era assim, imagina lá dentro! Também, o que esperar de uns caras que comem cachorro (nem todos, não há tanto cachorro assim...)?!
Daí chega o meu lanche, se é que se pode chamar aquilo assim. O refresco estava cheio de gelo. Eu, gripado, pedi para que o china tirasse o gelo pra mim. Ele demorou, mas acabou entendendo. Foi pra trás de uma espécie de divisória e ao trazer o meu copo, percebi algo estranho. Numa mão ele trazia o refresco e a outra ele enxugava na camisa preta de imundice. Olhei para aquela mão pingando com os gominhos da laranja pendurados e sinceramente não acreditei. O filho de uma puta rasgadeira tinha enfiando aquela mão de sarjeta no meu copo?! Até achei que meu sequelado colega iria falar alguma coisa na hora, mas ele só comentou comigo dias depois sobre um certo "flash-back" sobre o chiqueiro shogun. Então pensei: “Posso fazer um confusão ducacete ou beber esse troço ruim e fingir que não vi nada. Depois, se não morrer, nunca mais piso nessa porra”. Então bebi. Bebi até porque quem come num lugar desses tem mais é que se fuder todo mermo! Se o salgado que ninguém viu sendo feito, nem onde, nem por quem, se comia aos montes, não seria aquela água de vala que iria me matar. Não daquela vez!
Como desconfio até hoje, essa pastelada toda deve ser apenas uma fachada para encobrir a imigração ilegal dessa chinesada coreana de Taiwan. E a Vigilância Sanitária é sócia da parada. Tá na cara que qualquer fiscal fecharia o estabelecimento só de olhar! E como negócio, eles não tinham como se manter. Era muito fácil dar calote no China. Se eu, que não sou de fazer essas coisas, comia 2 e só pagava 1, imagina o rombo que a “malandragem” deixava de prejuízo!
Nunca mais fui lá. Nem como mais essas porcarias. Meu triturador de lixo quebrou! E minha “fase avestruz” também acabou. O pior é que continuo fã dos salgados em geral e tô fazendo um sacrifício danado ficando longe deles. Mais é só lembrar dos chineses que a vontade passa na hora!
O curioso é que eu gosto muito da comida chinesa. Gosto de comer a chinesa, mas não sou adepto do croquete chinês. Por isso, estou pensando seriamente em propôr uma lei que proíba a concessão de alvará para “Pastelarias dos Chinas”. Será melhor para todos que ao invés de pastelarias os chinas abram somente lavanderias, pois só assim eles serão obrigados a lavar alguma coisa.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sessão 'Flash Back'! - Parte III




DRINKING WITH PETER

Como se sabe, tudo tem uma primeira vez e palavra não é o meu forte. E apesar de escolado, formado e ministrando aulas no curso de pós-graduação da Universidade da Manguáça, não sou adepto da política de entornar um copo desacompanhado. Mas volta e meia, sem maiores surpresas, fraquejo e caio em tentação. Decido beber, sentar num boteco sozinho, e meio sem querer, escrever. Não nessa mesma ordem, mas enfim, estou aqui “nesse momento lindo” sem muito e com quem falar, mas com vontade de dizer alguma coisa (por que raios eu falei de primeira vez se nem me lembro quando fiz disso algo inédito?!). Em homenagem então, um grande gole pra molhar a beiça e enxaguar as idéias...
"Vejo relâmpagos que trazem flashes de muitos momentos. Uns mais felizes do que outros, mas na sua maioria, são relâmpagos de felicidade em uma grande tempestade. Não que os motivos de felicidade tenham sido tão rápidos como os traços de luz que cortam o céu, mas porque foram intensos, e muitas vezes, brilhantes. Não penso em tempestade como tragédia ou confusão. Digo isso porque normalmente tempestades são avassaladoras, como são os sentimentos que nos fazem, nos descrevem, nos dominam, nos derrubam e levantam. Basta raciocinar um pouco e ouço trovões. Medo de criança tomando o ser. A diferença é que o corpo não responde ao medo. Talvez somente os olhos.
Olhos que vêem a verdade como algo não só cruel, mas também covarde. Destruidora dos sonhos inspirados na inocência perdida e dos argumentos usados contra a conspiração do banal que nos cerca. Tal afirmação me faz um pessimista pensando alto. Pode ser a rejeição à idade. O chamado “Complexo de Peter Pan” (o meu “preferido”, de fato). Sonhos de um moleque de quinze anos se transformando nos temores de um homem que passou dos trinta. São as dúvidas que nos cercam e que fazem o amanhã variar entre o “eu vou conseguir” e o “seja o que Deus quiser” de todos os dias.
Se a história se repete, não há novidades. O problema é que, na maioria das vezes, vemos a história como platéia e não como atores. Fazer o quê? Se não somos os primeiros, também não seremos os últimos. Um maior controle sobre a troca desses papéis é privilégio dos atores mais antigos, mais experientes. É o velho e manjado “ciclo da vida”. Uma daquelas coisas que somente o tempo nos mostra e traz. Bagagem, estradas, viagens...
Último suspiro, última visão, último copo da saideira. Mais relaxado, com o sangue misturando-se ao álcool majoritário, sorrio e fecho os olhos para o realismo. Dou lugar aos devaneios que poderão me levar a lugares diferentes, aos sonhos, ao romantismo. Mais fácil falar desse do que do outro. Melhor deixar isso pra depois.
O ideal mesmo seria encontrar o melhor fim, se possível ainda no meio, ou com muita sorte, no começo. Identificar e cativar não importa exatamente quando, desde que o objetivo mereça. Agarrar-se ao que faz feliz como um cachorro ao osso roído que ninguém consegue tirar. Felicidade antes do fim, ou final feliz, ou vice-versa, ou vice-vice, ou sei lá o quê. “Fundamental é mesmo o amor...”, como escreveu o maestro em Tom Maior".
Enquanto a última, melhor dizendo, a saideira da saideira não chega, a gente vai caminhando, acaba esquecendo a primeira, a segunda, a terceira vez, e no fim das contas, a história continua.

Sessão 'Flash Back'! - Parte II


O SAPO HIGHLANDER

Quase todos sentem saudades da infância, em geral muito diferente da que vemos nos dias de hoje. Mas eu acredito ter motivos especiais pra isso. Lembro-me dos meus tempos de criança no balneário francês de San Pierre de La Village. Lugar de lindas paisagens e grande fartura. Farta de mar, farta de onda e farta do que fazer (ok, piada velha, mas lembra a dita cuja época também, né não?!). Mas graças a isso tive uma infância agitada, pois tinha que inventar minhas próprias diversões. Isso significa que passei mais da metade dessa fase maravilhosa “jurado” e fugindo das coças e castigos do Mr.Fields, sujeito admirado pelos seus eleitores, respeitado pelos seus adversários e temido pela molecada pelo seu esporro em voz grossa e patente reconhecida.
Numa de muitas aventuras nesse lugar paradisíaco, eu, Paulo Henrique e Esinho, os três mosquiteiros da Lagoa, sócios-atletas do fazer-o-que-não-presta, decidimos desbravar parte daquele enorme matagal que rodeava a Base Aeronaval da Marinha em busca de novas aventuras e motivos pra tomar porrada em casa. Isso exigia a fundação de um novo clube. Lembro-me agora de como era fácil quando criança fundar um clube. Era “Clube de Caçadores” disso, “Clube de Salvadores” daquilo, variava de acordo com a época. Quando passava a época do caju ou da pitanga, mudávamos o nome para “Clube dos Caçadores de Sirigúela”. Como um sócio de um dos nossos clubes tinha tomado um tiro de sal em uma das reuniões embaixo do pé de carambola do Seu Armindo, desistimos das aventuras com vista nos empréstimos hortifrutigranjeiros á prazo por um tempo.
Esinho, comprovadamente o mais louco de nós, sugeriu então que fundássemos o “Clube da Ciência” a fim de descobrirmos o que toda pessoa normal já sabia. A votação e fundação foram a caminho da farmácia onde seria providenciado o equipamento para a pesquisa. Um litro de álcool, três vidros de formol, algumas seringas e um Vick-Vaporup Nasal pra ver se dava onda.
“Pra quê é que vocês querem essa porra?”, perguntou o Luís da Farmácia no exercício de sua psicologia infantil. “É pra empalhar a bicharada”, respondemos. Frisson na cidade! As bichinhas locais ficaram em polvorosa e faziam fila para que lhes atochássemos serragem (que nada mais é do que pau em pó!) e para poderem brincar com os nossos “Lulús”. Assim as sócias do “Clube da Bisnaga Fresca” chamavam nossos pequenos membros mijatórios infanto-juvenis. Revoltados, decidimos que assim que tivéssemos paus de verdade, fundaríamos o “Clube dos Exterminadores de Roscas Frouxas”.
Bem, voltando à procura do saber cientifico..., pegamos então nossos apetrechos e partimos para o meio da macega. Passamos o dia inteiro caçando qualquer espécie de bicho sem sucesso algum. Parecia que tinham sentido o cheiro de nossas intenções molhadas em formol, pois não achamos nem formiga. Já no final da tarde, próximo às últimas casas da “Vila dos Sargentos”, encontramos o que iria inaugurar nossos estudos e que transformaríamos na vedete da Feira de Ciências daquele ano. Era um sapo-boi de quase dois palmos de tamanho, feio e gordo. Tudo bem que não existe sapo-boi bonito e magro, mas esse era a cara do Jabah de Hutt do filme “O Retorno do Jedi”.
Não pensamos duas vezes! Enchemos nossas seringas com aquele coquetel mortal e partimos pra cima do bicho!! Quando apontei aquela arma venenosa para o anfíbio-bovino ele deu um pulo pra frente e nós demos dois pra trás. Nos vimos num impasse. Quem iria injetar aquele troço num bicho pré-histórico que nem aquele? E se ele agarrasse o meu pé e quebrasse os meus dedos com aqueles braços marombados? E se ele mijasse em nossos olhos? Ninguém queria correr o risco (a essa altura o sapo já tinha virado um jacaré do papo amarelo!)! Tiramos a sorte no zerinho ou um, e é claro, lá fui eu furar o mutante. Após vários cálculos, respirei fundo e tampei a seringa na cabeça do sapão. Ele nem se mexeu e eu perdi a minha primeira seringa. O super-girino, além de enorme, tinha uma cabeça de pedra, pois a mortal agulha fez um “looping” na tentativa de perfurá-lo. Irritados com tamanha afronta, nós três começamos uma verdadeira sessão de acunpultura nazista no saltitante obeso que nos ignorava.
Quando achávamos que finalmente tinha morrido, ele dava um de seus pulões e nos desmoralizava. Se fosse hoje, eu beberia aquelas seringas todas(*) só pra ver se aquela merda funcionava mermo! Mas não adiantava, o “mal-sapão” não morria de jeito nenhum. Foi quando tivemos a brilhante idéia de cercarmos aquela área com fogo para que ele não pulasse para dentro da Vila onde vários militares e belicosos amigos do meu pai moravam. O fogo, pra variar, fugiu do nosso controle. Estávamos todos cercados, mas também muito dispostos a morrermos pela ciência, desde que conseguíssemos levar o sapo junto, é claro.
Na 94ª injeção de tudo que é ruim, o sapão começou a expelir um líquido branco pelas costas. Gritei desesperado para que saíssemos correndo, pois pior do que mijo de sapo no olho é porra de sapo nos córnios!
No dia seguinte voltamos ao local da experiência “Mengueliniana”. O matagal estava todo queimado. Começamos a procurar o torresmo de Jabah, mas nem sinal do bicho. Encontramos restos de várias outras espécies em extinção, pobres vitimas do nosso plano de jerico, mas o sapão havia conseguido se salvar. Foi a nossa primeira e última incursão no mundo da pesquisa arquibiológica e da Medicina (I)Legal. Depois disso passei a respeitar mais os linguarudos comedores de mosquito. Quando avistava um sapo-boi passando em frente lá de casa eu dava bom dia, boa tarde, pedia licença, essas coisas...
Isso já tem muitos anos. Foi bem antes de filmarem “Duro de Matar” ou “Highlander, o Guerreiro Imortal”, senão eu saberia que os sapos-bois são ancestrais diretos do Bruce Willlis e só morrem se cortarem suas cabeças. Mas o tempo passa e a gente descobre algumas coisas, como por exemplo..., pra quê ir atrás de sapo se eu gosto mesmo é de perereca?
(*) Esse texto foi escrito antes do autor doar o seu fígado à ciência.

Sessão 'Flash Back'!



Só falando assim mermo!! Fiquei horas nessa joça escrevendo o que seria um sinal de vida em grande estilo, me divertindo com a quantidade de bobagens por linha esboçada, pra no final, ao tentar formatar a coisa pra jogar no ar, sei lá o que aconteceu, uma tecla maldita qualquer talvez, tudo se apagou, se evaporou, escafedeu-se!!!

Em sinal de protesto, não vou nem pensar em tentar escrever nada inédito, pois isso pode aumentar a minha raiva, e meu estimado laptop treme só de pensar na possibilidade de partir pra um 'vôo solo'. Por isso estarei colocando aqui alguns escritos velhos, perdidos e esquecidos em um outro canto qualquer, mais pra encher linguiça do que outra coisa. Pode parecer que não, mas eu gostaria de estar escrevendo sempre por aqui, mesmo sabendo que é para minha meia dúzia de cinco amigos que fazem questão de marcar presença 'em outros campos'! Valeu mesmo!
Um grande beijo em todos e tim-tim!

'OS BABADORES DA INFÂNCIA PERDIDA'

Há muito tempo atrás, um velho conhecido e cachaceiro me cobrou insistentemente por um texto, uma crônica, uma resenha, enfim, que eu escrevesse algo mesmo que não soubesse exatamente sobre o quê para que ele pudesse inaugurar um espaço em sua página na web. Num certo sábado veio o ultimato: “Ou você escreve essa porra para a inauguração da home-page na segunda-feira ou não precisa escrever mais porra nenhuma!”.
Sensibilizado com a delicadeza do pedido, me vi na obrigação de raciocinar, pensar em alguma coisa que pudesse ser no mínimo inteligível, mas desisti logo depois da inútil tentativa de acionar meus aposentados neurônios. Mas como o cara me deu carta branca pra escrever qualquer coisa, desde que fosse enviada pra ele até a véspera da estréia de sua página no dia sei lá qual, cheguei a conclusão que realmente não honrava as minhas calças e muito menos um compromisso com um companheiro de copo. Chegou a tal segunda-feira, o dia "D", e não tinha a mínima idéia do que estava a tentar fazer, ora pois!!
Apesar da habitual preguiça, pensei em tentar fazê-lo, mas a verdade é que não conseguiria mesmo se quisesse. É que na véspera, domingo, estive muito ocupado. Fui convocado pelo meu pai, o Mr. Fields, para ir a Saint John of Meriti às 6h da matina para pegar sua irmã e despachá-la a jato para Recife. Muito feliz e bem humorado, parti para essa importante missão cheia de escalas rumo ao Galeão/Tom Jobim. Mais satisfeito ainda fiquei ao chegar em casa e descobrir que esse espírito de bom samaritano que baixou em mim não iria cantar pra subir tão cedo.
Á tarde, depois de cumprida a missão e no meio daquela lombeira depois do almoço, mamãe, a Mrs. Fields, me cobrou uma promessa que havia feito e rapidamente tratado de esquecer. Era o aniversário de 1 ano do filho de uma prima que casou, se mudou e que não via há um tempão. Também era a última chance de rever uma tia que mora na Europa e iria embora no dia seguinte. Tudo isso num pacote só. Depois dessas “surpresas” passei a acreditar que além de todo o universo, os Fields também conspiravam contra mim.
Nada me restou a não ser ir para essa “boca de se fuder” (“foder” é pra quem teve berço cercado de pederastias). Fui, sorri para todos e assumi o meu lado paterno junto ao meu sobrinho no quintal dos brinquedos de plástico. Como não vale nada, o moleque cismou que a piscina de bolas tinha que ser esvaziada e o babaca aqui passou horas catando aquela merda espalhada pra tudo quanto é lado. A criançada gostou tanto da idéia que passou a imitá-lo. Resolvi chutar o balde. Senti a minha veia primata pulsando cada vez mais forte e percebi que era a hora de me juntar aos demais adultos antes que houvesse um infanticídio. Chegando ao salão de festas me deparei com uma cena esquisita. Não havia crianças (todas estavam ocupadas destruindo tudo lá fora) e sim uma dúzia de adultos dançando alegremente ao som do Balão Mágico.
Balão Mágico!! Quem lembra do Balão Mágico?! Nós da geração nascida na década de 70 lembramos perfeitamente daquelas crianças que cantavam acompanhadas do boneco-gigante Fofão, mas para os pequenos da festa aquela música não queria dizer nada.
Se eu estivesse sob o efeito do álcool e afins, não sei qual seria minha reação diante daquela cena. Mas como estava totalmente puro, consegui chegar a algumas óbvias conclusões. Uma delas é que não se faz mais música para crianças há muitos anos. Ouvindo músicas como “Superfantástico”, pude ver como é difícil a infância dos dias de hoje, como se pode castrar ou encurtar essa fase tão importante da vida de um sujeito. Como se não bastasse o fato de estarmos criando essas crianças dentro de apartamentos (quando se tem um) cercados por tantos outros e aprisionadas pela violência e neuroses do mundo moderno em seus mundinhos em forma de play grounds (quando se tem um também), nossas atuais miniaturas de gente são bombardeadas pelo que não presta pra ninguém e muito menos pra elas.
Aposto que, se ao invés do Balão Mágico estivesse tocando alguns desses Funks, Axés, Pagodes e demais porcarias, a criançada estaria lá “rebolando na garrafa”, “dançando na motinha” ou se enfiando a porrada com essa estória de que “um tapinha não dói”. Mas como não era o caso, me restou testemunhar um monte de gente grande cantando e dançando aquelas músicas, que além de todo o saudosismo, eram boas. Tudo o que se refere á criança é importante, é sério. Digo isso porque apesar da aparência jurássica, também já fui uma e trabalhei “com” e “para” elas durante muito tempo. Poderíamos falar sobre essa “distorção dos conceitos da infância” durante horas ou anos, o que não é o caso aqui, mas a verdade é que o bicho tá pegando e ele não se veste mais de Cuca.
Voltemos à festinha. Meu primo se aproximou de mim e ao ver a animação dos marmanjos disse que eles pareciam não ter tido infância. “Que nada”, disse eu, pois justamente por terem tido infância é que eles estavam ali, sem a mínima vergonha, curtindo e relembrando o que foi tão bom.
A verdade é que acabei por gostar do “programão”. Só essa viagem já valeu a pena! E eu só não me juntei á galera pra pegar carona naquela cauda de cometa e ver a Via Láctea, estrada tão bonita, porque eu estava totalmente puro!! Senão, só Deus sabe em que “galáxia” eu iria parar...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Direto do Front!


Faaaaaala, meu povo! Tenho andado muito ocupado mas sempre lembrando de vocês (taí o flagrante que não me deixa mentir!)! Assim que tiver um tempo pra escrever algo inteligível (difícil...), estarei atualizando esse espaço prematuramente gagá. Beijão em todos e saudades intercontinentais!!